Um detalhe parece ter passado despercebido na investigação que o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) conduz sobre o suposto esquema envolvendo contratos milionários da Secretaria de Turismo, empresas do grupo Metrópoles e organizações da sociedade civil.
A engrenagem que viabiliza o trânsito dessas cifras volumosas funciona sob um circuito fechado, onde a proximidade com o gabinete deputado distrital Pepa parece ditar a escolha dos operadores. Isso porque o Instituto Entre Nós, apontado pela investigação como uma das entidades utilizadas para subcontratar empresas do grupo de comunicação comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, é comando por Maria Terezinha Vaz Ribeiro, tia por afinidade de Sandro Eric da Silva Melo Monteiro — que ocupa estrategicamente a cadeira de chefe de gabinete parlamentar.

E o cerco da apuração se fecha quando se verifica a origem dos recursos. Documentos oficiais do Governo do Distrito Federal mostram que o deputado Pepa destinou de R$ 1,3 milhões em emendas parlamentares para projetos executados pela Metrópoles Produções, a exemplo do Metrópoles Fashion & Design Festival e do Metrópoles Endurance.

Essa triangulação expõe a anatomia de um circuito fechado: o deputado assina a emenda milionária, seu braço direito opera o gabinete, e a tia deste assume a presidência da entidade que repassa o dinheiro para o conglomerado de mídia. O que o MPDFT tem em mãos parece ir muito além de uma coincidência de nomes; sendo o desenho claro de como o dinheiro público faz o caminho de volta para os mesmos interesses privados usando o parentesco como ponte.









