A investigação da Polícia Civil que indiciou Roosevelt Vilela por associação criminosa, peculato-desvio e corrupção passiva apontou para um esquema de arrecadação paralela operado em 2018 na Administração Regional do Núcleo Bandeirante. Em vez do recolhimento oficial da taxa pública pelo uso de espaços públicos por meio do Documento de Arrecadação Avulso (DAR), a gestão sob ingerência do parlamentar passou a exigir a entrega direta de ao menos duas latas de tinta por aluguel.


Segundo o depoimento de uma das testemunhas, as tintas arrecadadas não possuíam registro de entrada, nota fiscal ou qualquer controle formal de estoque no patrimônio da Administração Regional. Levantamentos do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR) apontaram que os insumos obtidos sem amparo legal foram destinados a reformas no Clube dos Sargentos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), sem processo administrativo, convênio ou instrumento formal que justificasse a destinação.
Chama a atenção que a cobrança clandestina de tintas em substituição ao recolhimento da taxa aos cofres públicos ocorreu exatamente no mesmo período em que Roosevelt Vilela realizava obras de reforma em sua mansão na Quadra 20 do Park Way. Avaliado em R$ 3 milhões, segundo a o imóvel foi mantido por meio de “contrato de gaveta” e ocultado da declaração de bens apresentada pelo parlamentar à Justiça Eleitoral em 2018.

O cruzamento desses fatos levou a PCDF a concluir pela conversão ilícita de taxas públicas em materiais sem controle para obras corporativas e privadas, consolidando os elementos do indiciamento.
O outro lado
A reportagem do A Voz dos Praças buscou contato com a assessoria do parlamentar para obter o seu posicionamento sobre as conclusões do relatório policial, contudo, até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.









