A aquisição dissimulada de um imóvel de alto padrão no Setor de Mansões Dom Bosco, localizado na Quadra 20, Conjunto 2, Lote 1, unidade “E”, do Park Way, consolidou-se como um dos elementos centrais na investigação conduzida pela Polícia Civil que culminou no indiciamento de um deputado do Distrito Federal pelos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e corrupção passiva.
Segundo o mapeamento detalhado no Relatório Final nº 3/2026 do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR), a transação referente à mansão ocorreu originalmente no ano de 2018 por meio do recurso informal do “contrato de gaveta”. Ao manter a propriedade registrada em nome de terceiros, o parlamentar conseguiu omitir completamente o patrimônio de sua prestação de contas oficial entregue à Justiça Eleitoral durante o pleito daquele mesmo ano.
A investigação avançou com a análise de interceptações telefônicas e quebras de sigilo autorizadas pelo Judiciário, demonstrando que as movimentações com o intuito de regularizar a situação do bem só tiveram início no ano de 2020. Na ocasião, embora admitisse verbalmente que a mansão ostentava valor de mercado próximo a R$ 3 milhões, o investigado submeteu uma proposta de simulação de financiamento ao SICOOB avaliando a propriedade em R$ 2,2 milhões, visando a obtenção de um crédito bancário fixado entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão.

Na avaliação dos investigadores, a manobra de subavaliação na operação bancária refletiu uma tentativa deliberada de adulterar os dados operacionais para burlar obrigações fiscais e mascarar a visível incompatibilidade do bem com a renda formal do parlamentar.

Diante do conjunto de provas reunido pelo DECOR, a PCDF concluiu que a manobra envolveu simulação de relação jurídica, falsidade ideológica e ocultação patrimonial, apontando também indícios do crime de lavagem de dinheiro.


O outro lado
A reportagem do A Voz dos Praças buscou contato com a assessoria do parlamentar para obter o seu posicionamento sobre as conclusões do relatório policial, contudo, até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.









