Da “fraqueza eleitoral” à franqueza do desespero: Roosevelt cobra dos oficiais caçada aos praças “desavisados”
O desespero político do deputado distrital Roosevelt Vilela (PL) ganhou registros de áudio e vídeo em uma confraternização no Clube dos Bombeiros. Diante de uma plateia de oficiais recém-promovidos, o parlamentar exigiu abertamente que o oficialato “deixe o mimimi” de lado e assuma o papel de cabo eleitoral, saindo à caça dos praças classificados por ele como “desavisados” de seu projeto de poder.
O flagrante não traz surpresas para os leitores do A Voz dos Praças. No dia 29 de abril, este portal revelou, com exclusividade, que o distrital havia reunido oficiais em sua própria residência, em pleno horário de expediente, para tratar de sua fragilidade nas urnas e exigir a mobilização política da cúpula.
Na ocasião, o entorno de Roosevelt tentou suavizar ou negar a denúncia. Agora, porém, o vídeo vazado confirma, ponto por ponto, o cenário antecipado por este veículo — a estratégia de usar os comandantes para enquadrar a base.
Irritado com a perda de controle sobre a caserna, Roosevelt usou o discurso para cobrar reações imediatas dos oficiais contra praças que deixaram de seguir o alinhamento esperado pelo grupo dentro da caserna. Mas o momento mais revelador e que confirmou o clima de perseguição denunciado em abril ocorreu quando o distrital escancarou que a rotina e as conversas da tropa estão sob monitoramento. Ele citou nominalmente o Cabo Farias, expondo que o militar foi marcado por não rezar por sua cartilha.
“Eu sou até ruim de nome, mas gravei o nome dele”.
A intimidação ganhou o aval imediato do comando da corporação. Ao lado do parlamentar, o coronel Moisés Alves Barcelos disparou que “quando gravo o nome, não é bom”, selando a ameaça clara de retaliação administrativa contra qualquer subordinado que não rezar pela cartilha do parlamentar.
“Quando gravo o nome, não é bom”.
O abuso de poder foi tão flagrante que o próprio presidente do clube, o tenente Jair Dias Francisco, levou a mão ao rosto de forma instintiva, ciente do tamanho do absurdo que acabava de ser dito em público. As imagens pulverizam qualquer pretexto de representação da categoria e provam que a cúpula aceitou o papel de braço coercitivo da campanha de Roosevelt.
O episódio incendeia o clima nos quartéis do Distrito Federal e escancara os limites perigosos da interferência política nas forças de segurança, onde o topo da pirâmide hierárquica é convocado para sufocar e patrulhar o voto da base.









