Eranilde Alves do Nascimento, a Nilde, não é uma desconhecida das autoridades. Ré por parcelamento irregular de solo, denunciada por crimes ambientais, alvo de inquéritos e já citada em interceptações da 13ª DP por negociar invasões com a promessa de “regularização rápida” usando o nome do governador Ibaneis Rocha, ela deveria ser persona non grata em qualquer órgão público.

Mas, no Distrito Federal, acontece o contrário: enquanto responde criminalmente, ela circula semanalmente dentro do Gabinete 307 da Vice-Governadoria — recebida pelo assessor especial Estevão Souza dos Reis, que ocupa um Cargo Público de Natureza Especial, símbolo CPE-02, com salário de R$ 12.010,00, função de confiança direta no núcleo político do GDF.

Como alguém que, em 2021, usou o nome do governador Ibaneis Rocha para negociar invasões consegue circular semanalmente dentro da Vice-Governadoria, como se nada tivesse acontecido — e ainda seguir realizando as mesmas práticas?
Após essa aproximação dentro da Vice-Governadoria, o esquema ganha sentido. Segundo relatos, é Estevão quem abre o caminho para Nilde dentro da Terracap, encaminhando-a para setores onde ela obtém informações privilegiadas sobre lotes sem impedimentos ou pendências judiciais — justamente o tipo de área que ela usa para montar invasões.
A dinâmica é sempre a mesma: identificar o terreno, colocar ocupantes, consolidar a ocupação e, por fim, vender como se tivesse respaldo institucional. A foto dela ao lado do assessor especial dentro do Gabinete 307 apenas confirma o que já se sabe nos bastidores: Nilde não age sozinha.
A continuidade das denúncias contra Nilde mostra que nada disso é passado. Em 2025, ela voltou a aplicar o mesmo método — dessa vez enganando um idoso com a promessa de que conseguiria um lote “regularizado pela Terracap”. No boletim de ocorrência, a vítima relata ter entregado dinheiro acreditando que Nilde tinha trânsito dentro do governo.

No boletim de ocorrência, a vítima relata que Nilde mandava que os pagamentos fossem feitos na conta do filho dela, Jhonatas, apresentado como servidor do DF Legal.
A pergunta inevitável é: como uma mulher com esse histórico transita com tanta naturalidade dentro da Vice-Governadoria? Quem garante essa porta aberta? E por quê? Enquanto o GDF tenta vender a imagem de combate à grilagem, uma investigada por crimes fundiários usa justamente a estrutura do próprio governo como vitrine de credibilidade para continuar atuando.

O Gabinete 307 virou o que nunca poderia ser: um atalho institucional para a fraude.









