A máxima de que “o mundo dá voltas” ganhou contornos literais e irônicos nos bastidores do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).
Conhecido ter desdenhado publicamente das candidatas que lutavam na Justiça por critérios justos no Teste de Aptidão Física (TAF) feminino, o sargento Barreto acaba de experimentar o sabor amargo da própria lógica excludente que defendia ao ser eliminado na etapa de avaliação psicológica do concurso para o Curso de Formação de Oficiais (CFO).
O sargento, que ganhou notoriedade ao se posicionar de forma intransigente contra a flexibilização da barra dinâmica para as mulheres — chegando a endossar o coro dos que pregavam que “os fracos que se arrombem” — não caiu por falta de força nos braços, mas pela ausência de capacidade mental.
A liderança militar moderna pressupõe equilíbrio emocional, resiliência, capacidade de gerenciar crises sob pressão e, acima de tudo, o respeito estrito às instituições e à dignidade dos subordinados. Critérios estes que, pelo visto, a banca examinadora do exame psicotécnico entendeu que Barreto não preenchia.
A mesma estrutura implacável que o sargento defendia para cortar o sonho de dezenas de mulheres aplicou o rigor técnico para interromper a sua própria ascensão ao oficialato. Sem camiseta, bravata ou deboche capazes de alterar o resultado Barreto agora está diante do espelho e da frase que ele mesmo popularizou: afinal, ele vai virar o “fraco” e implorar pelo socorro do Judiciário, ou vai aceitar o próprio veneno, engolir a eliminação e se “arrombar” ficando fora do certame?









