Comissionados de Roosevelt Vilela são acusados de fraude com verba pública. Alegaram missão oficial nos Jogos Mundiais, mas estavam bebendo e curtindo jogo da FIFA em outra cidade.
🚨 FENEPE denuncia assessores de Roosevelt Vilela por viagem fantasma de R$ 61 mil aos EUA
A Federação Nacional de Entidades de Praças Militares Estaduais (FENEPE) protocolou denúncia no Ministério Público do Distrito Federal contra dois assessores do deputado distrital Roosevelt Vilela por uso indevido de recursos públicos.
Os alvos são os bombeiros militares Rodney Freire e Marcos Rocha, cedidos à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e lotados em cargos comissionados. Segundo a denúncia, ambos receberam R$ 61.674,14 em passagens, diárias e seguro internacional para representar a CLDF no evento World Police & Fire Games – 2025, realizado no Alabama (EUA) entre os dias 24 de junho e 6 de julho de 2025.
Mas em vez de cumprir qualquer missão oficial, os dois foram flagrados em Atlanta, a mais de 140 milhas do evento, no dia 1º de julho, brindando com cerveja no Mercedes-Benz Stadium durante o jogo entre Borussia Dortmund e Monterrey, pela Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
A FENEPE aponta fraude, desvio de finalidade e enriquecimento ilícito com dinheiro público — e cobra providências imediatas.
💰 Diárias, passagens e zero missão: os gastos públicos por trás do passeio
Rodney Freire e Marcos Rocha foram oficialmente designados para representar a CLDF nos Jogos Mundiais de Policiais e Bombeiros – 2025, nos Estados Unidos. Com base no Ato nº 135/2025 da Mesa Diretora, os dois receberam, juntos, R$ 61.674,14 em recursos públicos — valor que inclui passagens aéreas, seguro internacional e 10 diárias e meia para cada um.

Só que os nomes dos assessores não constam no sistema oficial do evento. Nenhuma inscrição. Nenhuma modalidade registrada. Nenhuma atuação institucional comprovada. Na prática, a “missão” virou um roteiro de lazer pago com dinheiro do contribuinte.
📸 Flagrante no estádio: cerveja, Copa e nenhum sinal de trabalho
No dia 1º de julho, em vez de estarem em Birmingham — onde aconteciam os Jogos Mundiais de Policiais e Bombeiros — os assessores Rodney Freire e Marcos Rocha foram fotografados a mais de 140 milhas dali, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

As imagens mostram os dois em clima de lazer, brindando com cerveja durante a partida entre Borussia Dortmund e Monterrey, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

Camisas casuais, copo na mão e nenhum sinal de atividade institucional. Para a FENEPE, o flagrante comprova o uso indevido da verba pública destinada à missão, escancarando o desvio de finalidade.
⚖ Desvio de finalidade, improbidade e crimes contra o erário
A FENEPE aponta que a viagem, embora respaldada formalmente pelo Ato nº 135/2025 da Mesa Diretora da CLDF, teve sua finalidade completamente desvirtuada. Os assessores foram designados para representar a Câmara Legislativa em um evento esportivo internacional — mas não se inscreveram, não se credenciaram e não participaram de nenhuma modalidade.

Segundo a denúncia, a conduta configura desvio de finalidade, com violação direta aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da Constituição Federal. Também se enquadra como ato de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito, nos termos do art. 9º, XI e XII, da Lei nº 8.429/1992, e pode ainda configurar os crimes de peculato (art. 312 do Código Penal) e falsidade ideológica (art. 299 do CP), caso tenham sido prestadas informações falsas para justificar a liberação da verba.
A representação institucional nunca existiu. O que houve, segundo a federação, foi um passeio financiado pelo erário, com dolo desde a origem.
📂 FENEPE exige responsabilização, exoneração e devolução do dinheiro
Diante da gravidade dos fatos, a FENEPE requer ao Ministério Público do Distrito Federal a imediata apuração da conduta dos servidores, com a adoção de todas as medidas cabíveis — administrativas, cíveis e criminais.
Entre os pedidos, estão:
- Ressarcimento integral ao erário, no valor de R$ 61.674,14;
- Exoneração dos cargos comissionados ocupados pelos servidores, caso ainda estejam em exercício;
- Ação de improbidade administrativa com base no enriquecimento ilícito;
- Encaminhamento à esfera penal, diante dos indícios de peculato e falsidade ideológica; e
- Ofício à Câmara Legislativa do DF para esclarecer quem autorizou a viagem e com base em quais documentos.
Para a FENEPE, o uso do aparato público para fins pessoais, sob falsa justificativa institucional, representa uma afronta direta ao interesse coletivo e não pode ficar impune.
❓ Roosevelt não viu, não sabe, não responde?
Rodney Freire e Marcos Rocha não são servidores aleatórios. São bombeiros militares e nomeados como assessores comissionados no gabinete do deputado distrital Roosevelt Vilela. Ou seja, toda a estrutura institucional que viabilizou a viagem — com passagens, diárias e cobertura política — passa diretamente pelo gabinete dele.

A pergunta que não quer calar: Roosevelt sabia da viagem? Sabia que seus assessores estavam longe do evento, tomando cerveja em outro estado? Sabia que não houve nenhuma inscrição oficial nos Jogos Mundiais? Se não sabia, por que não prestou contas? Se sabia, por que permitiu?
O Ministério Público agora tem a chance de apurar os fatos e dar uma resposta clara à população do Distrito Federal. Porque o dinheiro era público — e a omissão também tem preço.


















