O rompimento político dentro do Palácio do Buriti começou a revelar uma contradição incômoda para Celina Leão.
Embora a governadora tenha passado os últimos anos tentando consolidar sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista — buscando constantemente se associar à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro —, integrantes do próprio núcleo político de Celina agora dão sinais de que a confiança no conservadorismo pode não ser tão sólida quanto o discurso público tenta demonstrar.

Mensagens obtidas pela reportagem revelam o tamanho do curto-circuito dentro da base governista. Em um grupo de WhatsApp intitulado “Governadoria”, formado por aliados próximos e integrantes do entorno político da chefe do Executivo, um participante disparou, ao comentar os recentes movimentos de ruptura dentro do governo:
“Essa facada já era prevista quando colocou os bolsonaristas tudo dentro do GDF.”
O desabafo expõe uma crise silenciosa que vai muito além de um mero desentendimento paroquial entre Ibaneis Rocha e Celina Leão. Ele escancara que a base da governadora não tem qualquer confiança na ala mais à direita, tratando os aliados bolsonaristas abrigados na máquina pública diretamente como traidores.
Ao ver sua própria base sabotar a aliança com a direita, Celina Leão entra em uma encruzilhada perigosa: corre o risco de perder o apoio do eleitorado conservador por não conseguir segurar seus aliados e, ao mesmo tempo, de ver seu núcleo duro ameaçar desembarque por rejeição ao bolsonarismo.
No momento em que mais precisa de unidade, a governadora flerta com o isolamento.









