Uma declaração do ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual, Cristiomário Medeiros, acendeu a revolta de moradores e usuários do sistema público de saúde. Ao comentar a onda de vídeos gravados por pacientes denunciando a precariedade no atendimento de hospitais e postos de saúde, o político minimizou os protestos, afirmando que quem consegue filmar e reclamar “é porque está bem”.
“Normalmente a demanda dele é menor do que aquele [em estado grave]. Esse aí tá bem, né? Sério, ele tá bem, tá dando tempo de fazer vídeo, de fazer gravação”, disparou Cristiomário.
Para quem depende do SUS, a justificativa do ex-prefeito ignora a realidade da dor. Estar clinicamente “estável” na triagem não significa ausência de sofrimento. Crises renais, febres altas em crianças e fraturas causam dor extrema — e o registro em vídeo costuma ser o último recurso de socorro. Além disso, grande parte das gravações é feita por acompanhantes, pais e filhos desesperados que não suportam mais ver seus familiares mofando nos corredores.
Ao tentar usar uma lógica técnica de prioridade hospitalar para silenciar a indignação popular, o pré-candidato cometeu um erro crasso de empatia. Em vez de responder pelas falhas de estrutura e gestão, a fala tenta deslegitimar o direito constitucional de cobrar por um serviço pago com o imposto do trabalhador.
Em ano eleitoral, a declaração carimba uma postura de distanciamento da realidade da ponta e serve de combustível para a oposição. Para o povo que padece nas salas de espera, o recado que Cristiomário passou é claro: a dor e a indignação de quem espera por atendimento não têm valor, e cobrar por um direito básico virou motivo de deboche.









