O povo faz a sua parte, mas o Estado virou as costas
Diz o ditado popular que uma bola rolando em um campo de periferia tem o poder de mudar o destino de uma vida. Mas o que acontece quando a bola para de rolar? Na Vila Buritis, região historicamente conhecida como Pombal, em Planaltina (DF), o silêncio que vem do campo sintético local há exatamente dois anos e um mês não é apenas a falta de um jogo de futebol. É o som do abandono social.
O local, que deveria ser o coração pulsante da comunidade, hoje ostenta uma estrutura deformada e esquecida. Mas para entender a gravidade dessa imagem, é preciso olhar para as pessoas.
Hoje, as ações sociais e culturais da comunidade conseguem um público excelente e um ótimo engajamento. O povo faz a sua parte para movimentar a região, fomentar o comércio local e buscar valorização. No entanto, o poder público parece andar na contramão desse esforço.
A fábrica de sonhos trancada pelo descaso
A grande tragédia da negligência do poder público com esse espaço de lazer não está no cimento ou na grama sintética estragada, mas nas oportunidades que são arrancadas diariamente das mãos da comunidade.
Atrás daquelas traves abandonadas, moram projetos que poderiam estar transformando vidas agora:
- A escolinha de futebol que acolheria as crianças no contraturno escolar, ensinando disciplina, respeito e cidadania.
- O treino físico voluntário para a terceira idade, levando saúde, longevidade e dignidade para os idosos do bairro.
- O espaço de convivência familiar, onde pais e mães deveriam sentar no fim de semana para ver seus filhos brincarem em segurança.
Sem o campo, o jovem perde o seu único ponto de encontro saudável. Sem a escolinha, o talento de um futuro atleta morre antes mesmo de nascer. A carência de espaços de lazer empurra a juventude para a ociosidade, justamente em uma área que necessita do esporte como ferramenta vital de ressocialização.
A voz de quem não quer “enxugar gelo”
A indignação da comunidade é legítima e dolorosa. Os moradores se desdobram, criam canais de comunicação locais com milhares de visualizações diárias (como a Barriguda News), e se desdobram para produzir seus próprios vídeos de denúncia usando drones e criatividade.
Eles lutam para não deixar o bairro invisível.
"A gente não quer viver mais assim. A gente busca uma valorização. Eu não tive uma infância boa no passado e não quero isso para os meus filhos, nem para o filho do vizinho. É frustrante querer fazer o bem, ter o projeto, ter o voluntário, e ver tudo parado por falta de manutenção", desabafa uma das lideranças locais.
Reformar o campo sintético da Vila Buritis não é uma obra de estética urbana; é um ato de urgência humanitária. É devolver ao Pombal o direito de sonhar, de reabilitar seus cidadãos e de proteger a sua infância.
A comunidade cansou de promessas vazias e de maquiagens que duram apenas o período eleitoral. O povo candango da Vila Buritis exige o que lhe é de direito: dignidade, respeito e a volta do esporte que salva vidas.









