
Na segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026, enquanto um procedimento administrativo instaurado a pedido do deputado Roosevelt Vilela avançava dentro do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, o distrital foi visto em um almoço reservado, fora de qualquer agenda pública, no Coco Bambu DF Plaza.
Quem estava com ele?
O que foi tratado?
Já no Comando do CBMDF, Rodney Freire de Souza — assessor direto do deputado Roosevelt Vilela, cedido à CLDF, com remuneração de R$ 18.878,48 — era ouvido oficialmente em sindicância. Perante a Corregedoria, admitiu como funcionava o esquema de arrecadação para custeio de outdoors do parlamentar, prática que militares ouvidos pela reportagem definem como rachadinha travestida de “vaquinha”.

No depoimento, Freire demonstrou o envolvimento direto do gabinete do deputado Roosevelt Vilela na operação dos outdoors, ao reconhecer que as arrecadações têm como destino específico a propaganda política do parlamentar, inserindo a prática no entorno funcional do mandato e afastando qualquer caráter espontâneo ou desvinculado da atuação política.

O discurso de “contribuição voluntária” não apaga o fato político: uso de hierarquia, influência e ambiente militar para financiar propaganda pessoal.
Freire também descreveu que a arrecadação é operacionalizada com a participação do Clube dos Oficiais do Corpo de Bombeiros, entidade privada que, segundo ele, ficaria responsável pela contratação, pagamento e prestação de contas dos outdoors.

O arranjo, porém, desloca recursos arrecadados informalmente para fora das finalidades institucionais do clube, utilizando sua estrutura para viabilizar propaganda política pessoal de parlamentar, circunstância que, conforme especialistas ouvidos pela reportagem, extrapola a atuação associativa e pode caracterizar ocultação da real origem e destinação dos valores, com potencial enquadramento em lavagem de dinheiro.
O que emerge do conjunto é um arranjo político-financeiro que se apoia no ambiente militar para sustentar propaganda pessoal, à margem de controles formais e fora dos canais institucionais regulares. Almoço sem agenda, arrecadação informal, uso de entidade associativa e depoimento oficial compondo o mesmo cenário.

Não é episódio isolado, é método. E, diante dos elementos já expostos, o caso deixa de ser apenas político e passa a ocupar o campo da apuração criminal e administrativa, com repercussões que parecem ter apenas começado.
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