Vamos falar de censura.
Censura praticada no Distrito Federal por agentes do próprio poder público.

Durante meses, o governo do DF e figuras centrais da política local utilizaram a Polícia Civil e o Judiciário como instrumentos para impor medidas drásticas contra um jornalista que ousou investigar e denunciar.

O alvo: Cabo Vitório, do canal A Voz dos Praças.

As críticas incomodaram porque não eram vazias.
Foram denúncias documentadas.

Foi o Cabo Vitório quem primeiro expôs como funcionava a operação envolvendo o BRB e o Banco Master, revelando a engenharia usada para inflar artificialmente resultados e dar aparência de superávit a uma instituição privada.

Foi ele quem revelou como familiares do deputado Wellington Luiz atuaram para se manter em imóvel que o STJ determinou a devolução à Caesb.
Foi ele quem expôs tentativa de fraude em licitação na Terracap, envolvendo a esposa do parlamentar, para reaver o mesmo imóvel.

Também revelou algo ainda mais sensível:
mais de 17 parentes nomeados pela deputada distrital Jane Klébia dentro da administração pública do DF.

Quando as investigações avançavam — inclusive sobre emendas parlamentares — veio a reação mais dura.

As redes sociais do jornalista foram suspensas.
Antes disso, duas delegacias especializadas da Polícia Civil foram mobilizadas.
Houve busca e apreensão.
Houve tornozeleira eletrônica.
Houve intimidação.
Houve perseguição.

O caso chegou ao absurdo histórico:
Cabo Vitório se tornou o primeiro jornalista do Brasil a ser submetido a tornozeleira eletrônica pelo exercício do jornalismo investigativo.

Tudo isso por expor fatos de interesse público.

A tentativa foi clara: calar pelo medo.
Mas o plano falhou.

Em decisão firme, durante o plantão judicial, o Superior Tribunal de Justiça, por meio do ministro Luiz Felipe Salomão, restabeleceu a legalidade, suspendeu as medidas e reafirmou que censura prévia é incompatível com a democracia.

A decisão não protegeu um homem.
Protegeu a liberdade de imprensa.

Cabo Vitório deixou de ser apenas um nome.
Passou a representar cada cidadão humilhado, cada servidor exonerado para dar lugar a parentes, cada pessoa pisoteada por estruturas de poder que confundem mandato com domínio.

Tentaram enterrar um jornalista.
Criaram algo maior.

A Voz dos Praças não se calou.
Não se calará.

Obrigado, STJ.
Obrigado, ministro Luís Felipe Salomão.
A democracia agradece.

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