O jornalista Cabo Vitório reagiu publicamente a uma matéria do Metrópoles que tenta associar policiais e bombeiros militares do Distrito Federal à chamada “farra dos penduricalhos” no serviço público. A resposta veio logo após reunião no Senado Federal com a senadora Leila Barros, onde foram discutidos a MP do aumento, o tema do posto acima e a isonomia de reajuste entre postos e graduações.

Segundo Vitório, a matéria induz o leitor ao erro ao tratar licença especial como se fosse penduricalho ilegal. “Licença especial não é privilégio, não é penduricalho e não é ilegal. Ela decorre de lei federal, aprovada pelo Congresso Nacional, e a própria decisão do ministro Flávio Dino é clara ao afirmar que verbas previstas em lei formal não se enquadram como penduricalhos”, afirmou.

O jornalista também rebate a insinuação de que militares receberiam valores elevados de forma recorrente. “Isso não é salário mensal. Esses valores aparecem, quando aparecem, uma única vez, ao final de uma carreira inteira. São indenizações pelo não gozo de licenças após décadas de serviço, escalas exaustivas, plantões de 24 horas, feriados longe da família e risco permanente à vida”, destacou.

Na prática, a licença especial funciona como compensação ao militar que abre mão do descanso a que teria direito. A cada dez anos de serviço, o policial ou bombeiro pode usufruir meses de afastamento. Quem não usufrui, por necessidade do serviço ou opção pessoal, recebe a indenização apenas no encerramento da carreira. “Não é bônus, não é prêmio. É compensação por não descansar”, reforçou.

Cabo Vitório critica ainda o recorte seletivo da matéria. “Os verdadeiros marajás do funcionalismo, aqueles que recebem valores inflados sem risco, sem plantão e sem exposição, raramente viram manchete. Quando o assunto envolve militares, a generalização aparece rápido”, pontuou.

Para o jornalista, jogar a opinião pública contra policiais e bombeiros é uma distorção conveniente. “Não aceitamos que tratem quem sustenta a segurança pública como culpado por distorções que não criou. Desta vez, há quem fale, quem explique e quem confronte a narrativa pronta.”

O silêncio sobre outros setores do serviço público contrasta com a rapidez em apontar o dedo para a tropa. E a resposta veio no mesmo tom: militar não é bode expiatório, e licença especial não é farra.

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